AULA ORIENTADA E PESQUISA


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  CONTINENTE AFRICANO

1. Pobreza e riqueza

        Há séculos, o trabalho dos povos africanos vem contribuindo para a acumulação de riquezas em outras partes do mundo, em especial na Europa (fig. 1).
    Desde o século XVI, quando teve início a colonização européia da América, milhões de africanos foram levados à força para trabalhar em regime de escravidão nas minas e nas fazendas americanas, produzindo riquezas agrícolas e minerais. No século XIX, quando o próprio continente africano foi repartido e colonizado, as potências européias passaram a se apropriar também do fruto do trabalho dos povos africanos nas terras agrícolas e nas jazidas minerais de seu próprio continente (fig. 2).


Figura 1. Mercado (de escravos em Zanzibar, ilha na costa da África Oriental, século XVIII.



Figura 2. Buraco remanescente da primeira mina de diamante explorada na África do Sul, no início do século XIX. Kimberley, África do Sul, 1996.

       
Figura 3. No conjunto da África Subsaariana, o único país que apresenta uma economia industrial de dimensões significativas é a África do Sul. Na maior parte dos países da região, as exportações são dominadas pelos gêneros tropicais (como o cacau), pelos minérios metálicos (como o ouro) ou pelo petróleo.

       A África abriga 53 países independentes (figura abaixo), metade dos quais com menos de 5 milhões de habitantes. A maioria dos 750 milhões de africanos não teve e não tem acesso à riqueza que ajudou a produzir: entre os 177 países pesquisados no mundo, os 26 que apresentam os mais baixos valores no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) estão localizados na África. E não é para menos: 60% da população adulta dos países do continente é analfabeta, e a expectativa de vida ao nascer gira em torno dos 50 anos! É claro que a pobreza e a baixa qualidade de vida não são as únicas características desse continente nem afetam da mesma maneira todos os seus países. A África do Sul, por exemplo, dispõe de um parque industrial importante. A África é sobretudo o continente dos contrastes, tanto econômicos e sociais quanto naturais.


Figura 5. Em grande parte, as fronteiras que dividem os países africanos foram herdadas da partilha colonial ocorrida no século XIX.

2. A diversidade natural
       
         Na África, os climas e as paisagens naturais se sucedem de maneira semelhante a partir da linha do Equador, tanto para o norte quanto para o sul. Quatro quintos do território africano estão situados na Zona Intertropical,
isto é, entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio, o que explica a predominância de elevadas médias térmicas. Porém, os climas africanos apresentam extrema diversidade no que diz respeito às médias pluviométricas.


Figura 6.1. Enquanto no Golfo da Guiné as precipitações anuais são superiores a 2 mil milímetros, nos desertos do Saara e do Kalahari as precipitações não chegam a 250 milímetros. Esse contraste é um dos fatores que definem a extrema diversidade climática do continente.
Figura 6.2. A África é cortada ao meio pela linha do Equador, o que lhe confere uma certa simetria entre o norte e o sul na distribuição dos ambientes naturais.

       Estrutura geológica e relevo

    Conforme você pode observar no mapa da figura 12, grande parte do continente africano apresenta altitudes inferiores a 1.500 metros. No entanto, elevadas cordilheiras montanhosas de formação recente estão presentes na África. No extremo norte, paralela ao litoral do Mar Mediterrâneo, destaca-se a Cadeia do Atlas. Os Montes Drakensberg, no extremo sul, são circundados por uma grande extensão de terras altas. Os picos mais altos do continente situam-se nas elevações montanhosas que emergem nos planaltos da África oriental. Vulcões ativos e inativos formam essas elevações, comprovando a existência de intensa atividade geológica na região.


Figura 7. Há grandes cadeias montanhosas de formação recente no norte e no sul do continente africano.


Figura 8. O Rift Valley, assim como o Mar Vermelho, encontra-se em uma zona de contato entre placas tectônicas. Caso essa linha de falhas se alargue, futuramente, poderá se transformar em um braço de mar.

3. África do Norte e África Subsaariana

          A história dos povos africanos é tão longa quanto a história da própria humanidade. De acordo com a maioria das pesquisas realizadas sobre a origem da nossa espécie, nossos ancestrais viveram no continente africano. Talvez por isso é que exista tanta diversidade humana na África, e é muito difícil conhecer todos os seus grupos étnicos, culturais e lingüísticos. Para você ter uma idéia, mais de 3 mil línguas são faladas no continente!
       Apesar dessa diversidade, costuma-se dividir o continente africano em dois grandes conjuntos culturais, separados pelo Saara: a África do Norte e a África Subsaariana (fig. 9).


Figura 15. O Deserto do Saara separa a África do Norte da África Subsaariana.


Figura 17. No final do século XIX existiam inúmeros reinos de povos africanos, mas as potências européias já estavam presentes no continente.


Figura 18. Em 1914, a África encontrava-se sob controle das potências européias. A França e o Reino Unido detinham a maior parte das terras africanas


Atividades

1. Fale como o Continente africano era visto pelo mundo até meados do século XIX.

2. Atualmente, como é a economia africana? O que isso tem a ver com o seu HDH?

3. Explique por que, mesmo com uma parcela significativa da população trabalhando na agricultura, diversos países africanos enfrentaram crises de fome nas últimas décadas.

4. Estabeleça relações entre os climas e as paisagens vegetais dominantes no continente africano.

5. O que é o Rifty Valley? Qual sua origem geológica?

6. Explique por que a África do Norte e a África Subsaariana formam conjuntos culturais distintos.

7. Quais foram os “dois tempos” da dominação européia sobre o continente africano?


8. O processo de descolonização não implicou superação da pobreza africana. Também não resultou no avanço da democracia e em estabilidade política. Em grande parte, a instabilidade política africana resulta do(a):
a)  fim da União Soviética e da redução de empréstimos para a região; 
b)  avanço das forças democráticas no interior da África;
c)  avanço do islamismo combatendo o cristianismo no sul do continente;
d)  reprodução de antigas tensões oriundas da Guerra Fria e das lutas étnicas;
e)  reprodução das tensões internas no mercado mundial de alimentos.

9.
“... o continente africano em seu conjunto apresenta 44% de suas fronteiras apoiadas em meridianos e paralelos; 30% por linhas retas e arqueadas, e apenas 26% se referem a limites naturais.”
(Martin, André R. Fronteiras e Nações. São Paulo, Contexto. 1997)
A maioria das fronteiras, no continente africano,
a)  evidencia o rompimento com o passado colonial, tendo resultado de acordos diplomáticos entre os países após a descolonização. 
b)  observou os limites naturais de antigos territórios, garantindo a coincidência geográfica entre Estado e Nação.
c)  promoveu a integração territorial, política e administrativa de povos tradicionalmente aliados e culturalmente identificados.
d)  foi definida pelos colonizadores e separou povos, reuniu tribos rivais no mesmo território, interrompeu tradicionais rotas de comércio.
e)  foi definida pela ONU, para evitar disputas territoriais durante o processo de descolonização.

10.
A África é, entre todos os continentes, aquele onde se encontram as mais típicas manifestações do subdesenvolvimento, cuja compreensão requer o reconhecimento não só da pesada herança colonial européia como também das especificidades e características diversas de sua população. Com relação às características da população da África. Não podemos afirmar corretamente que a(s):
a)  concentração dos povos brancos ocorre ao norte do continente; 
b)  diversidade cultural é maior nas regiões subsaarianas;
c)  religião islâmica é praticada pela totalidade da população ao sul do Saara;
d)  baixa renda per capita está associada ao caráter predominantemente rural da população africana.
e)  diferenças lingüísticas entre os povos são atenuadas pelo uso de idiomas dos colonizadores.

11.
A violência latente em países como Ruanda, Burundi e Serra Leoa caracteriza a dificuldade de superação de problemas históricos, porque:
a)  o fracasso das medidas de assistência internacional atinge somente a África Oriental; 
b)  a fragilidade dos Estados Africanos impede a estabilidade política e social internas;
c)  a descolonização da África não seguiu a ótica da geopolítica das grandes potências;
d)  a África Ocidental apresenta problemas muito diferentes do restante do continente;
e)  as intervenções internacionais da ONU não geram novos contextos econômicos de subsistência e de produção industrial.

12.
“O continente condenado”
“África em chamas”
As manchetes que atualmente são publicadas sobre a África, como as apresentadas acima, expressam o trágico quadro socioeconômico desse continente. Assinale a opção que não inclui um aspecto desse quadro.
a)  A baixa expectativa de vida de grande parte da população. 
b)  O número significativo de africanos contaminados com a Aids.
c)  Os conflitos e guerras tribais envolvendo nações africanas.
d)  As guerras civis estimuladas pelas potências imperialistas européias.
e)  O contigente de africanos fora de seus países de origem, em busca de trabalho.

13.
Região de relevo em forma de mesa e depressões, a África Austral possui uma barreira montanhosa no litoral, onde se encontram o monte Roggeveld, o Olifante e o Karroo, que formam:
a)  a Cordilheira do Cabo; 
b)  o Maciço da Etiópia;
c)  o Planalto dos Grandes Lagos;
d)  o Atlas;
e)  o Kilimanjaro.

14.
Considere os seguintes dados de identificação de alguns territórios da África.
1. ______: antiga colônia espanhola invadida pelos Marrocos.
2. ______: pequeno país encravado em território sul-africano.
3. ______: país da África Austral, rico em minério de cobre, cobalto e chumbo.
4. ______: país de grande extensão territorial que permaneceu por quase 500 anos como colônia portuguesa.
5. ______: país árabe, ex-colônia francesa, onde o turismo é uma das principais fontes de renda.
Assinale a alternativa que preenche corretamente, de cima para baixo, as lacunas acima.
a)  Saara Ocidental – Suazilândia – África do Sul – Angola – Líbia 
b)  Saara Ocidental – Lesoto – Zâmbia – Angola – Tunísia
c)  Saara Ocidental – Namíbia – Nigéria – Moçambique – Tunísia
d)  Mauritânia – Lesoto – África do Sul – Moçambique – Argélia
e)  Mauritânia – Namíbia – Zâmbia – Angola – Argélia

15.
“O espaço que o mundo islâmico ou muçulmano ocupa, leva-nos a considerá- lo como um continente intermediário. Assim o mundo islâmico separa as regiões intertropicais e o ocidente temperado. Todas as comunicações diretas entre a África Negra e o Extremo Oriente passam por países muçulmanos”. (Castro, Terezinha). Na África, o mundo muçulmano, que detém cerca de 1/3 da população do Continente e é composta basicamente por brancos, está localizado no que se convencionou chamar de:
a)  Sahel Africano; 
b)  África do Norte;
c)  África Central;
d)  África Meridional;
e)  África Oriental.