Geografia Geral - Recursos Naturais

 

 

5.1. - Indústria Extrativa Mineral

 

5.1.1.- Recursos naturais

O extrativismo mineral é considerado mais uma atividade do setor secundário de produção (indústrias de bens de produção ou de base), visto que usa máquinas e tecnologia avançada para retirar os recursos minerais existentes na natureza. Os recursos naturais vegetais, animais ou minerais são os bens úteis que a natureza oferece ao homem; tal utilidade, por sua vez, depende da organização social e da evolução histórica dos agrupamentos humanos.

As condições básicas para que ocorra o extrativismo mineral são as seguintes:

  • Identificação e localização das jazidas minerais (lugares onde se concentram determinados minérios em rochas no subsolo).

  • Existência de tecnologia para a prospecção (localização e cálculo do valor da jazida mineral) e a pesquisa das camadas geológicas do subsolo.

  • Constituição físico-química do minério (geralmente carregado de canga, ou impurezas), determinando sua qualidade, utilidade e consequente cotação no mercado.

  • Viabilidade de transporte do minério ao mercado consumidor interno ou externo - o mais barato é o aquático ( fluvial ou marítimo), depois a ferrovia e, em última instância, a rodovia.Exemplo: o custo/tonelada na Hidrovia Tietê-Paraná custa US$ 61, enquanto na rodovia é de US$ 121.

Em relação à lucratividade da indústria extrativa mineral, valem os mesmos argumentos já usados nas commodities agrícolas:os países subdesenvolvidos produtores de matérias-primas brutas apresentam déficits em suas balanças comerciais pela baixa cotação ouu manipulação de seus preços. Enquanto os paíse consumidores apresentam superávits em face da fabricação de insumos (matérias primas já elaboradas), serviços e produtos industriais de alta tecnologia.

As rochas, por serem agregados de minerais (e estes de elementos químicos) são importantes para a indústria extrativia mineral. O seu processo de formação é condicionado pela dinâmica interna da natureza (tectonismo, vulcanismo e abalos sísmicos) e sua dinâmica externa (erosão, transporte e acumulação dos agentes externos do relevo). Em face destes condicionamentos, já estudamos que as rochas podem ser magmáticas (extrusivas ou vulcânicas, intrusivas ou plutônicas), sedimentares (detríticas, químicas, orgânicas) e metamórficas. Nos escudos cristalinos (período proterozóico) há muitas riquezas minerais metálicas; por outro lado, nas bacias sedimentares há minérios não-metálicos de origem fóssil (petróleo, carvão, folhelho).

 

5.1.2.- Fontes de energia

Segundo o dicionário ("Aurélio"), a "energia é a propriedade de um sistema produzir trabalho", ou a capacidade que certos recursos naturais tem de gerar força. Há varias modalidades de energia em face de suas fontes ou procedências diversas.

 

Vejamos o quadro.

Modalidades de energia

Fontes de energia

Muscular (mecânica )

Homem ou animal (ex: arado de tração animal)

Calorífica ou térmica

Lenha, vapor d’água, carvão mineral, petróleo(termeletricidade), álcool (de cana de açúcar), Sol e vulcões (energia geotérmica)

Mecânica dos ventos ( moinhos)

Eólica (depende da intensidade dos ventos)

Química (pilhas, baterias)

Reações de substâncias químicas

Mecânica de águas correntes (quedas d’água)

Hidreletricidade (energia mecânica das águas transforma-se em elétrica nas turbinas)

Termonuclear ou atômica

Fissão nuclear (urânio) ou fusão nuclear (H)

 

As fontes de energia podem ser renováveis -relacionadas às forças da natureza( como os ventos; as águas correntes dos rios e dos mares; o Sol; os vulcões e geiseres) ou aos seres vivos animais e vegetais (fontes bióticas como o biogás, o etanol, o metanol) e também podem ser não- renováveis ou minerais (como o carvão mineral, o petróleo, o folhelho, o urânio). Através das fontes de energia se potencializa a força de trabalho do homem, se acionam as máquinas e se agilizam as comunicações no espaço geográfico. Após a Revolução Industrial, iniciou-se o uso de fontes modernas de energia que, aplicadas às máquinas, aumentaram muito a produtividade dos agentes de produção (terra, capital e trabalho).

Atualmente há um uso predatório dos bens econômicos e recursos naturais, em face do consumismo (típico da sociedade de consumo de massa dos países desenvolvidos), da menor durabilidade dos bens de consumo, da presença de produtos descartáveis e da própria dinâmica de mercado, que precisa renovar estoques periodicamente.

Devemos, pois, tomar consciência das limitações da natureza em seu processo de autoregeneração e assim respeitar o meio ambiente e adotar procedimentos conservacionistas, isto é, o de usar o máximo e o maior número de vezes os bens econômicos, através da reciclagem. Além disto, fala-se em desenvolvimento sustentável, isto é, aquele que preserva o meio ambiente, conhecendo-se melhor os ecossistemas naturais, aproveitando-os racionalmente, respeitando os ciclos da natureza e garantindo a sobrevivência da humanidade.

Infelizmente, estamos longe ainda dessa meta de desenvolvimento sustentável, pois cerca de 75% da oferta de energia do mundo atual corresponde à gerada pelos combustíveis fósseis (petróleo e carvão mineral), muito poluentes, consumida pelas indústrias e meios de transportes.

 

5.1.3.- Fontes modernas de energia (carvão, petróleo, urânio, hidrelétrica)

Estas fontes modernas de energia representam 90% da produção de energia mundial.

 

a) Carvão mineral (como o petróleo, é um combustível fóssil, pois originário de fossilização de matéria orgânica em bacias sedimentares, sob certas condições).

è Processo de formação geológica - Desde a Era Paleozóica, no período Carbonífero, restos de vegetais lenhosos em áreas de clima frio e seco, junto com sedimentos, foram se acumulando no fundo de lagos, com pouca oxigenação, devido à ação de geleiras próximas destes lagos.

Esta acumulação, ao longo dos milhares dos anos, com sucessivas camadas geológicas de rochas sedimentares exercendo uma enorme pressão sobre aqueles restos orgânicos vegetais semidecompostos (pois o clima era frio e seco), transformou-os em carvão mineral, determinando o seu poder calorífico, conforme a sua antiguidade geológica e seu respectivo teor de carbono.

Deste modo, a depressão relativa onde havia o lago cercado por geleiras, tornou-se uma bacia sedimentar, em cujas camadas mais profundas pode se encontra o carvão mais raro, antigo e de maior alto teor de carbono e poder calorífico ( o antracito). A sucessão do mais antigo e puro, para o mais recente e impuro é: antracito (cerca de 95% de carbono) à hulha (de 75 a 90%) à linhito (de 65 a 75%) à turfa (no máximo com 50% de carbono).

Apenas o antracito e a hulha são úteis à siderurgia, como fontes energéticas na transformação da hematita (minério de ferro) em aço e ferro-gusa em altos fornos; ambos são levados à uma seção da usina siderúrgica denominada de coqueria, a fim de serem purificados mais ainda, formando o coque metalúrgico. O linhito é usado em geração de termoeletricidade, em cujas usinas aquece a água em caldeiras, a mesma entra em ebulição, daí o vapor d’água sob pressão vai acionar turbinas e estas movimentam os circuitos internos de geradores de energia.

è Importância e utilidades do carvão mineral

No século XVIII, nos inícios da Revolução Industrial na Inglaterra, ainda não havia o trem a vapor. Sendo assim, as jazidas carboníferas foram os centros de convergência de instalação das fábricas e dos cortiços dos operários e mineiros, vivendo em péssimas condições de trabalho.

O carvão mineral foi a base energética da I e II fases da Revolução Industrial, nos séculos XVIII e XIX, aumentando 80 vezes sua produção neste período e respondendo por 97% da demanda energética dos países industrializados da Europa, Estados Unidos e depois o Japão.

Resumindo, as utilidades do carvão mineral são: combustível em usinas termoelétricas e locomotivas a vapor; coque metalúrgico; fabricação de gás; calefação doméstica em países de climas frios e temperados (utilizando linhito ou turfa); a indústria carboquímica (de bens intermediários ou de insumos para a indústria de fertilizantes, corantes, tinta). Atualmente é menos usado que o petróleo, porque libera menos calor e é mais poluente que ele.

A maioria das jazidas carboníferas atuais situam-se em torno dos 45o de latitude norte ( onde surgiram grandes florestas no Paleozóico): os Montes Apalaches (a NE dos EUA, antigo limite ocidental das Treze Colônias Inglesas), os Urais (divisor histórico entre a Rússia européia industrializada e a asiática)- ambos correspondendo a ¾ da produção mundial; o vale do rio Ruhr (afluente da margem direita do rio Reno), na Alemanha; a Alsácia-Lorena (na fronteira da França com a Alemanha, esta a ocupou militarmente desde a Guerra Franco-Prussiana até a I Guerra Mundial); a Manchúria (jazidas de Fu-Shun, na China, ocupadas pelos japoneses antes da I Guerra Mundial). Não é simples coincidência estas áreas terem concentrado muitas indústrias até a Revolução tecnocientífica. Os maiores produtores mundiais são: China, EUA e Rússia.

 

b) Petróleo (hidrocarboneto e combustível fóssil)

è Processo de formação geológica

Desde a Era Paleozóica, em mares interiores, golfos ou baías fechados, o plâncton (seres minúsculos marinhos, sob as formas de fitoplâncton-vegetal e zooplâncton-animal), ao morrer, foi sendo depositado no fundo das águas marinhas, junto com sedimentos. Aí nas profundidades, sem a presença de oxigênio e sob a ação de bactérias anaeróbicas, a matéria orgânica decomposta junto com os sedimentos, formou o sapropel (termo que vem do grego e significa "lama podre"). Na medida em que se acumularam sucessivas camadas sedimentares, sobrepondo-se umas às outras, pressionando aquele sapropel, formaram o petróleo disperso em vários locais das bacias sedimentares (aquelas depressões relativas onde estavam os mares interiores).

Para que o petróleo disperso se acumule em jazidas petrolíferas é preciso que haja movimentos tectônicos provenientes de dobramentos modernos próximos às bacias sedimentares, que provoquem a sua movimentação entre as rochas sedimentares (como o calcário) até encontrar uma camada de rochas impermeáveis (como as magmáticas e metamórficas), que barrem esta sua migração. Nesta área acumula-se o petróleo, originando uma jazida.

As maiores jazidas mundiais de petróleo localizam-se entre os escudos cristalinos pré-cambrianos e os dobramentos modernos do final do Mesozóico. Nesta sequência, podemos observar: o Oriente Médio (produtor de 35% do petróleo consumido no mundo) fica entre os terrenos antigos da África (de que fez parte em eras passadas) e os recentes do Cáucaso; na Venezuela, as jazidas estão na Bacia do Orenoco, entre o Escudo Guiano e os Andes; no Canadá entre o Escudo Canadense e as Montanhas Rochosas. Também é encontrado nos anticlinais (áreas mais baixas e côncavas) dos dobramentos modernos, como no Alasca e no Equador. As áreas de maior produção mundial são: os países do Oriente Médio, a Rússia (ao N dos mares Negro e S do Cáspio e na Planície Siberiana ) e os EUA (Texas, Oklahoma e o Alasca).

è Importância e utilidades do petróleo

O petróleo corresponde a 40% do consumo energético mundial; libera mais calor que o carvão (1 barril ou 159 litros de petróleo = 1 ton de carvão); é menos poluente e mais fácil o seu transporte que o carvão. Ele é chamado de "ouro negro", já que. além dos seus subprodutos diretamente saídos das refinarias (gasolina, gás, óleos, asfalto), há indiretamente 300 produtos originários da indústria petroquímica (que é uma indústria de bens intermediários), que fornecem insumos para a indústria química e destas para as indústrias de bens de consumo (como batom, chicletes, plásticos, polímeros sintéticos,PET,etc.).

è Reflexos do petróleo no espaço geográfico da produção, circulação e consumo

As repercussões do petróleo no espaço geográfico são as seguintes:

 Quanto ao espaço da produção-

  • As refinarias de petróleo transformam o petróleo bruto em derivados através de colunas ou torres de destilação (primeira fase) e de craqueamento (segunda fase de refinação). A refinação dos destilados depende de duas condições: da qualidade do petróleo bruto (dos melhores e piores saem, respectivamente, 30 e l9% de destilados leves- gás e gasolina,da parte superior das torres, 40 e 3l% de destilados médios- "gas-oil", 30 e 50% de resíduos, como asfalto, este da parte inferior das torres); por outro lado, das necessidades de consumo e do desenvolvimento do país (ex.: nos países centrais, procura-se extrair o máximo dos derivados para atender a demanda da calefação doméstica no inverno e das indústrias químicas).

  • As refinarias de petróleo atraem indústrias petroquímicas (que usam os destilados médios das refinarias), daí saem insumos para as indústrias químicas, daí para as de bens de consumo.

? Quanto ao espaço da circulação e consumo podemos observar o seguinte:

  • O transporte de petróleo bruto é geralmente feito a grandes distâncias, enquanto o de seus derivados é feito a curtas distâncias. É mais lucrativa a refinação do que a pesquisa e prospecão.

  • Até 1960, sua pesquisa, prospecção, refino e comercialização eram dominados pelo cartel das "Sete Irmãs" (= 5 transnacionais norte-americanas, que eram a Texaco, a Exxon, a Gulf Oil, a Mobil Oil e a Standard Oil of California, mais 2 européias ocidentais- a Royal Dutch-Shell e a British Petroleum). Antes disso, em l928, este cartel dividiu o Oriente Médio em áreas de influência para a produção e comercialização do petróleo, através do Acordo da Linha Vermelha.

  • A atuação cartelizada das "Sete Irmãs" valeu-lhes grandes lucros, impondo preços extremanente baixos e constantes aos produtores de petróleo bruto , enquanto a cotação dos derivados aumentava conforme a demanda do mercado (da década de 20 a de 60 = 500%).

  • Em l960, ocorreu um fato excepcional entre países subdesenvolvidos: pela primeira vez os produtores de petróleo criaram o seu cartel, a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), cujo objetivo principal era o de aumentar o seu preço, o que vão conseguir apenas na década de 70, em face das crises de escassez do mesmo.

  • As "crises de petróleo" ocorreram devido a conflitos no Oriente Médio, que produzia 53% do petróleo consumido no mundo, daí sua repercussão planetária. A primeira crise deu-se em l973, em face do boicote árabe em produzir petróleo, como desforra pela sua derrota fragorosa diante dos israelenses na Guerra do Yom Kippur. A segunda crise deu-se em l979/80, quando diminuiu a oferta mundial desta fonte energética, em virtude da queda do Xá do Irã pela Revolução Islâmica e, logo após, a guerra de 8 anos entre Irã e Iraque (2 grandes produtores mundiais).

  • Os efeitos das crises do petróleo no mundo foram: redução do seu consumo com a política recessiva dos países centrais (paralisando sua produção diminui o consumo); estímulo ao uso de fontes alternativas de energia (ex.: no Brasil surgiu o Proálcool, em l979); reativação conjuntural da produção de carvão mineral e gás (nos países centrais); pesquisa e prospecção em novas áreas (ex.: o Mar do Norte foi consorciado entre o Reino Unido e a Noruega, tornando o Reino Unido, um dos grandes produtores mundiais) fazendo decrescer o papel preponderante do Oriente Médio, de 53 para 35% da produção mundial. As crises repercutiram negativamente nos países periféricos não-produtores de petróleo, cujas dívidas externas subiram enormemente em face dos juros altos cobrados pelos bancos internacionais (que estavam com liquidez enormes de reservas em petrodólares, depositados pelos produtores de petróleo) em empréstimos, ora para cobrir déficits em suas balanças comerciais, ora por politicas desenvolvimentistas (como no Brasil, durante a ditadura militar).

c] Hidreletricidade

A energia primária das águas dos rios já era usada em moinhos. Na segunda metade do século XIX, foi inventada a hidreletricidade nos Estados Unidos e Europa. A energia primária das águas represadas de um rio, levada por tubulações, impulsiona as pás de turbinas que, por sua vez, acionam geradores, de onde sai a energia elétrica ( daí o nome de energia secundária).

Há duas condições básicas para se produzir a hidreletricidade: o volume d’água (acumulada em uma represa) e o desnível do curso do rio, só possível em rios de planalto (a fim da água ter força necessária para acionar as pás das turbinas). É isto que explica o grande potencial hidrelétrico do Brasil: rios caudalosos e predominantemente de planaltos.

As grandes vantagens da hidreletricidade são: é uma energia renovável e não-poluente da atmosfera, além disso o seu custo operacional é baixo (depois da construção da usina, a sua operação é relativamente barata, pois usa pouca mão-de-obra e a água já esta represada). Entretanto, ela apresenta aspectos negativos:

  • São elevados os custos de construção da represa e da usina,bem como da manutenção da rede de transmissão de energia até os centros consumidores (tecnologias novas de fibras óticas e de supercondutores podem diminuir muito a perda de cerca de 10% de energia em cada 1.000 km de transmissão de energia).

  • As grandes represas causam problemas ecológicos no meio ambiente, como no ciclo de reprodução de certas espécies de peixes (quando os mesmos sobem as correntezas para desovar no alto curso do rio- fenômeno da piracema); além da inundação de imensas áreas provocando microssismos no subsolo (pela acomodação geológica de camadas de rochas, sob as águas da represa, diante do grande volume de água); a transmissão de doenças (devido às águas paradas da represa) e a formação de gases no fundo da água represada, quando há submersão das matas.

Os países de maior potencial hidrelétrico são a Rússia, China e Brasil; os de maior aproveitamento hirelétrico são os Estados Unidos, o Canadá, a Rússia e o Brasil. As maiores usinas hirelétricas estão situadas nos rios Colorado e Colúmbia (a O dos EUA), no Mackenzie (Canadá), que nascem nas Montanhas Rochosas. Na América do Sul destacam-se as bacias do Paraná (a Usina de Itaipu é a maior do mundo), do S.Francisco e Tocantins (nascem no Planalto Brasileiro) e a do Orenoco (que nasce no Planalto Guiano). Na África destacam-se os rios Nilo (represa de Assuã) e Zambeze (nascem nos planaltosdo centro-sul; na Ásia, os rios russos Ob e Yenissei (nascem no Planalto Siberiano Central) e os chineses Amarelo e Azul (nascem no Tibé).

 

d) Energia termonuclear ou atômica

A fonte mais usada para gerar esta energia é a do urânio, mineral radioativo, que é raro e apenas pode ser usado o U235 (as jazidas de urânio apresentam 99,3% de U238). Apenas o primeiro é fissionável, isto é, se fissionam ou quebram os núcleos dos seus átomos a fim de produzir energia. A tecnologia de transformação de U238 em U235 é altamente dispendiosa: de cada 100 kg de U238 retiram-se apenas 700 gramas de U235.

A energia termonuclear começou a ser usada de forma pacífica para fins energéticos na Inglaterra em 1956. Atualmente, sua produção é maior que a da energia hidrelétrica, concentrando-se 95% do consumo na América Anglo-Saxônica, na Europa Ocidental, na CEI e no Japão.

As usinas nucleares diferem das termelétricas, porque estas usam como fontes de energia o carvão ou óleo combustível (derivado de petróleo) para aquecer as caldeiras, enquanto naquelas a energia é gerada pela fissão nuclear dentro de um reator nuclear, que, por sua vez, está no interior da caldeira.

A fissão nuclear é o bombardeio do núcleo do átomo do U235 com nêutrons, fissionando-o, isto é, quebrando-o; com isto liberam-se nêutrons do núcleo, que irão fissionar outros núcleos sucessivamente. Esta é a reação nuclear em cadeia, que, por ser feita no reator nuclear, libera energia de forma lenta, gradual e controlada, mas em quantidade enorme (1 kg de U235 libera tanta energia quanto 10.000 kg de carvão mineral ou 700 kg de óleo combustível). Esta energia faz a água da caldeira entrar em ebulição, transformando-a em vapor que aciona as turbinas.

As usinas termonucleares tornaram-se uma forte opção dos países centrais, especialmente os europeus, muito dependentes do petróleo e daí vulneráveis a crises, como as de l973 e de l979.

O uso pacífico da energia nuclear, porém, apresenta desvantagens, embora possam ser contornadas pelo uso da fusão nuclear ( energia do futuro, em que se fundem os núcleos de átomos de hidrogênio, existente em todo o universo, formando o hélio) ou pela utilização de reatores regeneradores reciclando o plutônio (subproduto da fissão nuclear). As desvantagens são:

  • Depois de cerca de 3 a 5 anos é preciso haver a troca e limpeza dos materiais contidos no interior dos reatores nucleares, de que resultam os resíduos ou o chamado lixo nuclear, entre os quais está o plutônio, altamente radioativo e prejudicial ao organismo humano (causa câncer e outras doenças) e ao meio ambiente. Em face disto, ele é acondicionado em containers ou caixas de concreto, revestidos internamente de chumbo, para impedir o vazamento da radioatividade e depois é enterrado em lugares profundos do subsolo ou do mar. Como esta radioatividade dura centenas de anos, pode ocorrer o risco de eventuais vazamentos.

  • As usinas nucleares duram cerca de 25 anos, produzem menos energia que as hidrelétricas e custam mais em sua manutenção e controle. Mesmo com controles de alta tecnologia, já houve erros humanos provocando acidentes nucleares (como o de Chernobyl, em l986, na Rússia).

  • O uso pacífico da energia nuclear pode ser desvirtuado para fins militares- em l990, produziu-se 150 ton. de plutônio.Bastam só 10 kg para se fazer uma bomba atômica- é perfeitamente possível contrabandear tal quantia em países em crises como a Rússia.

5.1.4- Fontes alternativas de energia (biomassa, solar, eólica, geotérmica, dos mares)

 

A] BIOMASSA (uso de fontes bióticas, como o etanol, o metanol, o biogás)

 

a) Etanol (cujas matérias-primas podem ser a cana-de-açúcar, o sorgo sacarífero, a batata...)

Em l979, diante das crises do petróleo e seus conseqüentes aumentos acarretando déficits na balança comercial, foi criado no Brasil o Proálcool (Programa Nacional do Álcool), estabelecendo incentivos fiscais e subsídios aos latifundiários produtores de cana-de-açúcar, aos usineiros, às transnacionais automobilísticas e aos usuários de carros de passeio (o carro a álcool é mais barato e o imposto sobre veículos é menor que para os carros a gasolina). O Proálcool, porém, está sendo questionado, em face das circunstâncias comentadas a seguir.

  • A cana-de-açúcar exige solos férteis, como o de massapê (na Zona da Mata do NE) e o de terra-roxa (no Planalto Arenito-Basáltico do SE e S do Brasil) - assim, ela passou a ocupar terras antes destinadas aos cultivos alimentares (milho, feijão), decrescendo sua produção. Como a produção de álcool é subsidiada pelo governo federal (o barril de álcool sai das usinas mais caro atualmente que um barril de petróleo, mas este combustível chega mais barato nos postos revendedores), quem acaba pagando estes subsídios é o conjunto da população brasileira, beneficiando apenas a elite fundiária.

  • A produção de álcool valia a pena na década de 80 (o barril de petróleo custava cerca de US$ 35, hoje é de US$ 18, enquanto o de álcool está em torno de US$ 38). Hoje, sua utilidade reside não tanto pelos fins energéticos, mas pela não-poluição (acrescentado à gasolina), pela tecnologia e pela utilização na indústria alcoolquímica (polietilenos, borracha sintética, etc.).

b) Metanol (cuja matéria-prima é a madeira).

A madeira, para tal fim, não provém do extrativismo vegetal, mas da silvicultura, isto é, plantio de florestas (ex.: eucaliptos, pinus) com finalidades energéticas e industriais (carvão vegetal para siderurgia e metanol para combustível ou para indústrias químicas).

A silvicultura encontra condições favoráveis de espaço e de clima quente e chuvoso na Zona Intertropical da Terra. De outro lado, porém, na Zona Temperada do N torna-se mais difícil por causa da exiguidade das terras disponíveis na Europa e da industrialização e urbanização (destruidoras das florestas de médias latitudes, como a Apalacheana, nos EUA, a Laurenciana, no Canadá e as da Europa e mesmo as florestas de coníferas, como a Canadense, a Boreal e a Taiga Siberiana- estas usadas para fabricação de celulose e papel).

 

c) Biogás (matérias-primas: lixo orgânico, esgotos residenciais, estrume de gado).

Este material biótico pode ser decomposto, pela ação de bactérias, em biodigestores. O biogás pode ser usado em fogões de cozinha, motores e turbinas de pequenas dimensões em áreas rurais. Os países mais populosos da Terra, China e Índia, são os maiores produtores.

 

B ] ENERGIA SOLAR

Sua utilização é indireta através da biomassa e dos combustíveis fósseis. Seu uso direto é possível, mas não integral devido ã tecnologia insatisfatória ao seu armazenamento e alto custo das células fotovoltaicas. A Zona Intertropical apresenta maior potencialidade desta energia, por ter maior insolação. É usada para aquecimento de água residencial. Os maiores produtores são os Estados Unidos (que tem a maior central altavoltaica do mundo no Colorado) e o Japão.

 

C] ENERGIA EÓLICA (ou dos ventos- usada na Holanda desde o século XVII).

É captada através de cata-ventos, cujas pás são feitas de fibra de vidro, mas leves e assim capazes de girar com ventos de 10 m/seg. É condicionada à direção e velocidade dos ventos.

 

D] ENERGIA GEOTÉRMICA (ou do calor interno da Terra, isto é, de vulcões e geiseres).

Em áreas de dobramentos modernos, onde há vulcões, como na Rússia e Itália, bombeia-se água da superfície para as profundidades do subsolo em que existam câmaras magmáticas (de onde sai as lavas). Nestas câmaras a temperatura é muito alta e por isto a água transforma-se em vapor, que retorna à superfície por pressão através de tubulações, acionando turbinas em usinas geotérmicas situadas na superfície terrestre. Em regiões onde há geiseres (vapor d’água sob pressão proveniente de camadas profundas da crosta terrestre, através de fissuras da mesma, explodindo periodicamente na superfície terrestre), como na Islândia, aproveita-se este vapor d’água para calefação doméstica.

A cada 32 metros de profundidade da crosta terrestre a temperatura aumenta cerca de 1oC: é o grau geotérmico. Este aumento de temperatura pode ser usado para a construção de usinas geotérmicas, como já foi executado experimentalmente por cientistas norte-americanos do Laboratório Nacional de Los Alamos.

 

E] APROVEITAMENTO ENERGÉTICO DOS OCEANOS(diferencial térmico, marés e ondas)

a) Energia térmica dos oceanos - Como as águas marítimas superficiais são mais quentes que as profundas, este diferencial térmico já foi usado experimentalmente com sucesso. Esta energia é potencialmente maior na Zona Intertropical, cujas águas marítimas superficiais apresentam uma média térmica de 25o C.

b) Energia maremotriz - As marés são movimentos verticais das águas oceânicas resultantes da atração gravitacional exercida pelo Sol e Lua sobre o nosso planeta. Em litorais onde a diferença entre a preamar (maré alta) e a baixamar (ambas ocorrendo duas vezes ao dia) for acentuada, há possibilidades concretas de utilização do desnível entre ambas para gerar a energia das marés. Isto acontece no estuário do rio Rance, no litoral da Bretanha (França), onde se construiu uma represa que enche com a preamar movimentando as turbinas no sentido de direção da água do mar para o continente; quando é baixamar, vai se esvaziando a represa, acionando as turbinas no sentido contrário (da terra para o mar)

c) Energia das ondas - em litoral alto, na Suécia, ainda em caráter experimental.

 

F] XISTO OU FOLHELHO PIROBETUMINOSO (rocha sedimentar sólida). Esta rocha (muito encontrada no Planalto Sedimentar do Planalto Meridional do Brasil, como também na Rússia e EUA) possui um composto de origem orgânica chamado de querogênio, que, ao ser submetido a altas temperaturas transforma-se em betume, cuja decomposição origina gás e óleo, como o petróleo. Ainda é muito inconveniente sua utilização energética em escala comercial, em face dos seus custos elevados de decomposição química, bem como dos danos ambientais decorrentes da mesma, pois para decompor o folhelho usa-se muita matéria prima, o que determina a formação de uma grande quantidade de resíduos inaproveitáveis.