Geografia Geral - Vegetação

 

 

VEGETAÇÃO

Domínios morfoclimáticos ou fitogeográficos da Terra (interação dos fatores naturais-relevo, hidrografia,clima, vegetação e solos): são as florestas de baixas latitudes(equatoriais e tropicais), savanas e os desertos e semidesertos- na Zona Intertropical da Terra; as florestas de folhas caducas, campos temperados e florestas de coníferas- nas Zonas Temperadas; a tundra- na Zona Polar Ártica. Vamos ao estudo da interdependência dos elementos desses ecossistemas:

Na Zona Intertropical:

  • Florestas de baixas latitudes: climas equatorial e tropical úmido com altas temperaturas e muitas chuvas e amplitude térmica baixa, que propicia a formação das matas mais biodiversificadas (devido ao calor e umidade).Os solos são muito lixiviados, lateríticos (ascensão de óxidos de ferro e alumínio lhes conferem acidez acentuada). A decomposição das folhas mortas no chão servem para automanutenção das florestas. A biodiversidade gera uma densidade enorme da cobertura vegetal que dificulta a ocupação humana, mas incentiva o extrativismo vegetal.
  • Savanas (cerrados no Brasil)- como o clima é tropical com chuvas de verão e o inverno é seco, a vegetação é formada por árvores dispersas, um extrato inferior de gramíneas e muitos arbustos com características xeromórficas (folhas cerosas, raízes longas, casca grossa, galhos retorcidos para se adaptar ao inverno seco). Os solos ácidos podem ser corrigidos com a introdução de calcário (técnica da calagem), representando uma nova fronteira agrícola do Brasil (soja).
  • Desertos e semidesertos- ocorrem devido aos anticiclones subtropicais (áreas de baixa pressão atmosférica junto aos trópicos), às correntes marítimas frias (formando desertos litorâneos) e em encostas de sotavento (do lado contrário a ventos úmidos, acontecendo chuvas orográficas nas encostas de barlavento). Seus climas caracterizam-se por altas amplitudes térmicas diárias e chuvas escassas e irregulares, daí a vegetação xerófita (guarda água nos vacúolos celulares e apresenta espinhos para não evapotranspirar) ou sistema radicular desenvolvido. Os solos são esqueléticos, isto é, finos (devido ao intemperismo físico causado pelas elevadas amplitudes térmicas diárias); são alcalinos ou salinos (pois a evaporação é > que precipitação). As estepes são típicas de clima semi-árido que envolvem os desertos.

Na Zona Temperada do Norte :

  •  Florestas de Folhas caducas (folhas caem no inverno para reduzir o metabolismo) ou de médias latitudes- típicas de clima temperado oceânico- são homogêneas e por se situarem na área mais industrializada e urbanizada da Terra, são as mais devastadas.
  • Campos temperados (estepes da Ucrânia, pradarias norte-americanas, pampas gaúchos): relacionam-se com o clima temperado continental, com invernos secos e rigorosos e amplitude térmica diária e anual grande. Os solos são muito férteis em face da decomposição das gramíneas mortas no inverno, não havendo quase lixiviação no verão, formando matéria orgânica. Aí estão os solos de tchernozion da Ucrânia e os cinturões agrícolas norte-americanos.
  • Florestas de coníferas ou de altas latitudes - relacionam-se ao clima frio, com baixa insolação e solos gelados. São as florestas mais homogêneas (praticamente só de pinheiros), prestando-se à indústria extrativa vegetal (Canadá, Suécia, Noruega, Finlândia são grandes produtores de celulose e papel). Solos podzólicos, isto é, ácidos e pálidos, com turfa no horizonte A (parte externa dos solos) e pobres,dificultando a agricultura.
  • Tundra - no extremo N da América do N e da Eurásia, com solos gelados durante 8 meses, devido ao clima subpolar, sobrevivendo apenas musgos e líquens.
  • Vegetaçao orófila - típica dos dobramentos modernos devido ao ar seco (a umidade aumenta até certa altitude,daí haver florestas, depois diminui escasseando a vegetação). A altitude, de certa forma, repete as formações vegetais da latitude em face dessas condições diversas de temperatura e umidade.

 

Características

De todos os aspectos das paisagens naturais, nenhum é tão afetado pelo clima quanto a vegetação. Cada espécie de planta sobrevive apenas dentro de certos limites, que incluem fatores como quantidade de luz solar que recebe, temperatura, precipitação, umidade, umidade do solo e vento. Quaisquer variações nestes elementos irão refletir diretamente na vegetação terrestre. A vegetação é dependente direta do solo que, por sua vez, também depende do clima. Sabe-se que em climas quentes e úmidos, a formação do solo acontece mais rapidamente do que em climas frios e secos. Consequentemente, os solos são, em geral, mais espessos na umidade dos trópicos do que em desertos e regiões que abrigam florestas polares, enquanto em climas secos, os solos tendem a ser mais férteis do que os de regiões de clima úmido. As diversas regiões do planeta apresentam, portanto, um tipo de vegetação para cada tipo de clima.

O Brasil abriga a maior riqueza em termos de diversidade de espécies em meio à vegetação da floresta Amazônica, tipicamente equatorial, que apresenta uma enorme riqueza em suas árvores de grande porte e variedade florística. Para se ter uma idéia, apenas metade das cinqüenta mil variedades de plantas já foi nomeada e classificada. No Planalto Central brasileiro, onde o clima é predominantemente tropical, a vegetação de savana apresenta um aspecto diferenciado, com árvores de pequeno porte, de troncos e galhos retorcidos, cascas espessas. Este tipo de savana recebe o nome de cerrado. A caatinga, típica do sertão nordestino, se caracteriza por uma mata rala, pela influência do clima permanentemente seco. A Mata Atlântica brasileira é tão rica quanto a da floresta Amazônica, sendo suas árvores de menor porte. A Mata dos Pinhais, também conhecida como Mata de Araucária, se caracteriza-se por suas árvores de copas em formato de taça, entre os quais estão pinheiro-do-paraná e a araucária. Os campos, ou campos limpos, encontrados no Brasil Meridional, apresentam vegetação rasteira, com espécies que atingem, no máximo, 50 cm de altura. A vegetação do Pantanal destaca-se pela presença das espécies típicas de áreas alagadas, como a Vitória Régia, cerrado em algumas áreas, e grande diversidade de palmeiras. A vegetação litorânea é marcada por formações variadas, entre as quais estão os manguezais. A Mata de Cocais, formação típica da área de transição entre o cerrado e a floresta Amazônica, apresenta entre suas principais espécies, a carnaúba.

As florestas tropicais compreendem grande parte da América, África e Ásia. Existe na Índia, uma grande variedade de plantas e lá são típicas as florestas de árvores altas, com folhas largas, e vegetação densa.

Com a crescente aridez, a enorme variedade de espécies de plantas do continente australiano vem sofrendo transformações diárias, trazendo uma rigidez cada vez maior para a textura de suas folhas, hoje de formato pontiagudo e tamanho reduzido.

A proximidade do equador reflete diretamente no clima e, sendo a vegetação africana reflexo disto , a seqüência de zonas ecológicas se estende tanto à norte quanto à sul do equador, como se constata nas presenças da floresta equatorial, da savana, da vegetação de deserto - onde predomina a vegetação rasteira, com gramíneas e ervas baixas, e até na vegetação tipicamente mediterrânea, que apresenta vegetação de arbustos e árvores com caules e troncos grossos e folhagem rala. Igualmente rica na diversidade de espécies de plantas, encontra-se na China florestas típicas da umidade dos trópicos, ao mesmo tempo em que suas elevadas montanhas localizadas no lado ocidental do país e do Tibet contêm plantas alpinas. As estepes e savanas também fazem parte das paisagens chinesas, bem como pântanos, pradarias - que têm a aparência de um tapete de ervas baixas e gramíneas, muito propícias à criação de gado, e até mesmo florestas coníferas, de vegetação uniforme, sem necessidade de renovação de suas folhagens no inverno, como os pinheiros.

As florestas temperadas apresentam uma vegetação caracterizada por poucas variedades de espécies arbóreas. É muito comum a queda de suas folhagens no período de inverno, abrindo espaço para a passagem do sol, fertilizando o solo. A conseqüência disto é a formação de um vasto "tapete" de grama, resultando na criação de bosques. As florestas do tipo Taiga e Boreal, localizadas em áreas de clima frio, apresentam pouca variação de espécies sendo praticamente compostas de coníferas.

Existem tundras de musgo e as tundras de líquens. O primeiro tipo se apresenta em áreas pantanosas, enquanto a outra se manifesta em regiões secas e pedregosas. A altura deste tipo de vegetação chega em média a 1 metro.

As ligações entre clima, vegetação e solo podem ser claramente observadas na parte Oriental da Europa, onde a norte prevalece a vegetação pantanosa da tundra, enquanto na parte sul são encontradas florestas verdes, em solo cinza e ácido, de baixa fertilidade.

 

  • FLORESTAS

Dá-se o nome de floresta a todo conjunto de árvores que compõe uma região. Apesar da possibilidade de se encontrar ali diversas formas de vida, como microorganismos, ervas, arbustos, e animais, tem-se nas árvores sua principal estrutura viva.

As árvores podem sobreviver sob as mais variadas condições climáticas mas, em geral, as florestas ocupam as regiões menos frias e mais úmidas. São uma fonte inestimável de purificação do ar, da água e de inúmeros produtos. As espécies variam de acordo com a localização geográfica da floresta, no entanto, isto não impede que espécies originárias de determinada região seja plantada em outra de clima semelhante. Os pinheiros, por exemplo, típicos do Hemisfério Norte, podem ser eventualmente plantados no Hemisfério Sul, e o eucalipto, genuinamente australiano, é plantado em várias regiões ao longo do mundo.

Os climas estão em constante mutação, mas este é um processo tão demorado - pode chegar a levar de centenas a milhares de anos - que uma determinada área florestal parece conter um grupo permanente de espécies. As florestas existentes atualmente obedecem esta associação com o clima. As florestas do tipo Taiga e Boreal, localizadas em áreas de clima frio, apresentam pouca variação de espécies sendo praticamente compostas de coníferas, enquanto nas florestas Temperadas, as espécies mostram-se mais variadas apresentando coníferas e árvores com folhas grandes e largas, compatíveis com climas subtropicais, de temperatura moderada no verão com chuvas, e invernos frios, como o leste norte-americano.

Já as regiões que apresentam chuvas tropicais, abrigam em áreas quentes e úmidas, florestas de estrutura complexa, com muitas espécies, como na África Central e Amazônia.

Nas áreas de invernos moderados e verões secos e quentes, as regiões florestais são compostas de arbustos e pequenas árvores sendo chamadas de Savanas tropicais, como o cerrado Brasileiro, e as savanas da África.

 

Existem florestas típicas das regiões atingidas pelo fenômeno das monções, comuns no sudeste da Ásia e na Índia, mas também presentes na costa do Pacífico e em algumas áreas do México e América Central, onde caem pesadas chuvas diurnas.

As florestas coníferas de regiões sub-árticas e alpinas apresentam pinheiros que costumam ocupar as regiões glaciais, e sua presença está associada à lagos, pântanos, e rios.

 

O desmatamento em grande escala, a abertura de clareiras por meio de queimadas, a negligência, a exploração e a destruição com fins econômicos podem enfraquecer as florestas e deixá-las em estado de vulnerabilidade, sendo infectadas por doenças e insetos, que resultará em sua morte. No Norte da Europa, por exemplo, muitos hectares de florestas já experimentaram os efeitos da chuva ácida.

     

     

 

  • Classificação - As florestas se dividem nos oito seguintes grupos em função do clima e do tipo de folhagem.

1. As florestas caducifólias das regiões temperadas são a formação típica de grande parte da Europa e do leste da América do Norte.

2. As florestas monçônicas caducifólias são características de Bengala e de Myanma, e comuns no sudeste asiático e na Índia.

3. A savana tropical. As savanas, comuns na África e na América do Sul, são dominadas por pradarias e zonas com junças.

4. As florestas de coníferas do norte formam um cinturão ao redor do mundo nas regiões subárticas e alpinas do hemisfério norte. As florestas de árvores baixas predominam na região setentrional conhecida como tundra.

5. As selvas tropicais são características da África Central e da bacia amazônica.

6. As florestas temperadas de folha perene estão localizadas nas regiões subtropicais da América do Norte e nas ilhas do Caribe.

7. As florestas mediterrâneas são uma variação da vegetação das regiões de clima temperado. Trata-se de uma floresta esclerófila.

8. O monte tropical baixo, algumas vezes chamado de chaparral, está localizado em regiões com precipitações escassas.

  • Floresta de manguezal

São formações vegetais que dão aspecto notável aos litorais tropicais de todo o mundo. Sua localização, restrita a faixa entre-marés (situada entre o ponto mais alto da maré alta e o ponto mais baixo da maré baixa), faz com que esses conjuntos de mangues sejam verdadeiros pontos de encontro entre o ambiente marinho e o terrestre.

Estima-se que haja cerca de 15 milhões de hectares de manguezais em todo o mundo. As maiores florestas, com cerca de 7 milhões de hectares, estão localizadas na Ásia (principalmente na Índia, Bangladesh e Indonésia), nas Américas, com 5 milhões (principalmente no Brasil, Colômbia e Venezuela), e na África, com 3 milhões de hectares, principalmente na costa atlântica desse continente.

No Brasil, estima-se a área total de manguezais em mais de 1,4 milhão de hectares, distribuídos ao longo de praticamente todo o litoral, desde o cabo Orange, no Amapá, até Araranguá, em Santa Catarina.

Os manguezais desenvolvem-se em um ambiente de difícil colonização por plantas, já que permanecem periodicamente inundadas com água salgada. Por isso, somente um pequeno número de espécies de plantas (não mais que 80 espécies em todo o mundo) conseguiu se adaptar a esse ambiente. Essas plantas desenvolveram sofisticados sistemas de controle de seu balanço hídrico e de absorção de nutrientes, muito dificultado pelas condições salinas. Porém, essas florestas estão entre as mais produtivas do planeta e abrigam uma enorme quantidade de animais de grande importância econômica.

Os manguezais abrigam grandes populações de caranguejos, siris e camarões que sustentam uma fração significativa das populações humanas que habitam os litorais tropicais. Além disto, essas florestas são verdadeiros berçários para muitas espécies marinhas pescadas comercialmente e servem de refúgio para diversos animais, inclusive alguns ameaçados de extinção, como por exemplo o tigre de Bengala.

Em regiões como a desembocadura do rio Amazonas os manguezais desempenham também uma função protetora da terra firme, diante da violência com que se chocam as águas marinhas na maré alta e a volumosa correnteza dos rios durante as épocas de chuva. O entrelaçado das raízes, característico do manguezal, protege os barrancos impedindo uma erosão maior.

Devido à sua localização privilegiada junto ao mar, muitas florestas de manguezal têm sido desmatadas para urbanização e desenvolvimento turístico. Como resultado, além da perda de produção pesqueira, essas áreas perdem sua proteção natural contra intempéries marinhas. Atualmente, em todo o mundo ocorre um intenso movimento ambientalista para preservar essas importantes florestas tropicais.

  • Floresta tropical úmida

São formações vegetais compostas por plantas sempre-verdes situadas na faixa entre os trópicos do planeta, onde a temperatura é sempre superior a 20º C e a pluviosidade anual superior a 1200 mm. Elas ocupam cerca de 17 milhões de km2 cobrindo, aproximadamente, 20% das terras do planeta.

Existem três grandes áreas de florestas tropicais úmidas no planeta: a americana, a africana e a indo-malaia. A floresta americana é a maior e a mais contínua delas, cobrindo cerca de 5 milhões de km2. Abrange quase toda a bacia do rio Amazonas e estende-se à bacia do Prata, na Bolívia, e ao norte à bacia do Orinoco, na Colômbia e Venezuela. A floresta africana é a menor das três, cobrindo principalmente a bacia do rio Congo, prolongando-se ao norte e a oeste ao longo do golfo da Guiné até a Libéria. A floresta indo-malaia é a mais fragmentada, abrangendo a maior parte das grandes ilhas das Índias Orientais: Sumatra, Bornéo, Celebes, Nova Guiné e Filipinas, além da costa da Indochina e da costa norte da Austrália.

A principal característica da floresta tropical úmida é o grande número de espécies que constituem o estrato arbóreo. Geralmente, em apenas 1 hectare de floresta encontram-se cerca de 40, mas também até 100 espécies de árvores, a maioria pertencente à famílias diferentes.

O estrato arbóreo atinge uma altura de 50 a 60 metros e é tipicamente dividido em três substratos, com as árvores mais altas, de até 60 metros, ocorrendo isoladas. Outra característica das florestas tropicais úmidas é a grande diversidade de cipós e epífitas.

As florestas tropicais abrigam a maior biodiversidade do planeta, tanto em plantas como em animais, possuindo cerca de 50% a 75% de todas as espécies vivas do planeta. Por exemplo, em uma extensão de apenas 16 km de floresta tropical da Colômbia foram registradas mais de 150 espécies de mosquito, enquanto o total encontrado em toda a América do Norte não passa de 130 espécies.

O homem vem explorando continuamente a floresta tropical por suas valiosas madeiras, para abrir áreas de cultivo e pasto e para exploração de seus recursos minerais. Como resultado, a floresta tropical, em muitos lugares, tem sido destruída e substituída por savanas pouco produtivas sujeitas à ação do fogo. A floresta tropical úmida, quando não perturbada, mantém um elevado nível de umidade que torna difícil a combustão. Se pequenas áreas são desmatadas, estas rapidamente são revegetadas. Entretanto, se grandes áreas são destruídas é praticamente impossível sua regeneração.

  • Mata Atlântica

Depois da Floresta Amazônica é a segunda maior floresta tropical úmida do Brasil. Por ocasião do descobrimento, a mata atlântica ocorria de forma quase contínua paralela ao litoral, do nordeste ao sul do país, com cerca de 1,5 milhão de km2. Foi a primeira vegetação natural a ser explorada pelos colonizadores, que praticamente extinguiram essa vegetação na maior parte do litoral brasileiro. Durante o primeiro século de ocupação portuguesa as madeiras, principalmente o pau-brasil, foram o principal produto de exportação da colônia.

Essa exploração foi seguida de um imenso desmatamento para a instalação da cultura de cana-de-açúcar. Posteriormente, outras áreas foram desmatadas para o desenvolvimento da cultura do café. Finalmente, com a industrialização do país, outras grandes áreas foram desmatadas para a produção de carvão vegetal em locais próximos dos centros de consumo.

A exploração não controlada dessa vegetação, aliada a sua distribuição geralmente em encostas, resultou na redução de sua área em quase 90%. Os principais remanescentes dessa vegetação encontram-se hoje no litoral sudeste do país, ainda submetido à ameaça constante da poluição e da especulação imobiliária. (Ver Ilha Grande e Serra da Bocaina.)

Apesar disto, o pequeno remanescente dessa vegetação preserva um alto nível de biodiversidade, um dos maiores do planeta, abrigando um grande número de espécies ameaçadas de extinção, das quais o representante maior é o mico-leão-dourado.

  • Vegetação de restinga

A continuação da mata atlântica sobre as planícies arenosas do litoral forma uma vegetação típica, a restinga. Essa vegetação é muito influenciada pela proximidade com o mar. As restingas são muito ricas em epífitas, principalmente bromélias e orquídeas, mas estão sendo destruídas a taxas alarmantes devido a sua localização privilegiada junto ao mar. 

  • Pradaria

Ecossistema em que as gramíneas, junças e outras plantas de pastio constituem a vegetação dominante. Em geral, duas ou três espécies de gramíneas formam mais de 60% da biomassa do terreno.

As pradarias podem ser classificadas como naturais, seminaturais e cultivadas. As pradarias naturais ocupam grandes áreas de massas continentais. As pradarias da zona temperada prosperam em lugares com precipitação anual entre 250 e 750 mm, um alto grau de evaporação e secas anuais e estacionais. A pradaria tropical é típica de regiões com estações secas e úmidas bem definidas.

As pradarias seminaturais aparecem em lugares com umidade suficiente para permitir a subsistência da floresta. São resultado do desmatamento e voltariam a abrigar árvores se não fossem objeto de queimadas, ceifa ou pasto. As pradarias cultivadas são introduzidas e conservadas de forma artificial.

Em seu estado natural, as pradarias abrigarão e alimentarão uma fauna muito variada.

Os solos das pradarias são muito férteis. A escassez de chuvas evita a dissolução dos nutrientes. 

  • Savana

Pradaria tropical habitada por de arbustos e árvores dispersas de vários tamanhos. O aparecimento da savana pode decorrer das características do solo, de incêndios periódicos provocados por raios ou pela ação humana, ou da influência do clima.

As savanas que surgem por razões climáticas se desenvolvem em regiões com estações úmidas e secas bem definidas e precipitações anuais entre 100 e 400 mm.

Em regiões de pluviosidade mais elevada, como o leste da África, a vegetação da savana é mantida por incêndios periódicos.

  • Caatinga

Nome comum que recebe no nordeste do Brasil um tipo de mata baixa, pouco desenvolvida, formada por arbustos espinhosos e árvores de folhas frágeis, que também se encontra no sul da África, Austrália e Índia. O clima é de tipo tropical semi-árido, com um período de seca seguido por chuvas irregulares, o que provoca que a vegetação perca suas folhas durante a estação seca. A paisagem da caatinga varia desde as zonas mais arborizadas até áreas mais abertas, com árvores e arbustos muito esparsos. Entre as plantas deste tipo de formação se pode encontrar a árvore barril (Chorizia ventricosa), com seu tronco volumoso, algumas cactáceas como Cereus squamosus, ou bromeliáceas como a Bromelia laciniosa. Entre os mamíferos deve-se mencionar o mocó ou moco (Kerodon rupestris), roedor endêmico do nordeste do Brasil; o sagui (Callithrix jacchus) e o tatu-bola (Tolypeutes tricinctus). Um exemplo de ave característica desta zona é a arara azul de Lear (Anodorhynchus leari), da qual, entretanto, restam menos de cem indivíduos na natureza.  

  • Campos abertos

Vastas planícies presentes em quase todas as regiões do Brasil, ainda que com características diferenciadas em cada uma delas. Apesar de a floresta tropical úmida amazônica ser a vegetação que mais identifica o Brasil no exterior, são os campos ou regiões abertas que ocupam a maior parte do território brasileiro. As áreas de vegetação aberta classificam-se em dois grandes grupos.

O primeiro grupo é composto pelos campos cerrados ou simplesmente Cerrado. É estruturado em dois estratos: o superior, formado por árvores e arbustos de até 10 metros de altura, com troncos e galhos retorcidos, recobertos por casca espessa e geralmente apresentando folhas grandes e ásperas, e o inferior, composto por um tapete de gramíneas. O afastamento entre as árvores e a altura da cobertura de gramíneas variam conforme a natureza do solo, sua declividade e as condições climáticas da área, tais como regularidade ou não das chuvas e maior ou menor incidência dos raios solares. Para caracterizar essa variação os botânicos subdividem ainda mais a classificação, indo do cerrado ralo até o fortemente arbóreo ou Cerradão. Esse tipo de vegetação cobre praticamente todo o planalto central brasileiro, englobando o oeste da região sudeste, todo o centro-oeste, o oeste da região nordeste e o sul da região norte. Embora apresente certa semelhança com a savana africana, a vegetação de cerrado não deve ser confundida com aquela, pois o solo e as espécies que as compõem não são idênticos.

O segundo grupo de vegetação aberta é composto pelos campos, áreas onde as gramíneas predominam, que apresentam grandes variações. Um tipo é o dos "lavrados", campos do norte do estado de Roraima, no extremo norte da Amazônia, que apresentam uma fisionomia de estepe, isto é com vegetação de clima semi-árido combinada com grupos mais ou menos espessos de palmeiras junto aos cursos d'água, que representam uma continuação dos llanos venezuelanos em território brasileiro. Outro tipo é representado pelos campos de várzea do médio e baixo vale do rio Amazonas e do rio Paraguai, no Pantanal mato-grossense, que são periodicamente inundados durante a estação das chuvas e, quando as águas baixam, se cobrem de pastagens tenras que proporcionam excelente alimento ao gado e herbívoros selvagens. Finalmente estão os campos limpos da campanha gaúcha, conhecidos por Pampas, área típica de pecuária bovina e eqüina do extremo sul do Brasil caracterizada por suaves ondulações e uma rica rede hidrográfica, com matas ciliares em processo de extinção. São a continuação das planícies pampeanas argentinas, que chegam até o Uruguai, o Rio Grande do Sul e uma pequena parte do sul do Paraguai.

  • Pampa

É uma vasta planície do centro da Argentina, que se eleva de modo imperceptível desde a costa do Atlântico em direção à cordilheira dos Andes, da qual está separada por estepes. O Pampa tem a maior superfície da América. Sua parte oriental, conhecida como pampa úmido, é uma das regiões mais férteis do país. Entre o pampa úmido e as estepes situa-se o pampa seco, uma região menos povoada onde predomina a pecuária e o cultivo forrageiro.

Conta com uma cultura agrária e urbana próprias. É considerada uma das regiões agrícolas mais desenvolvidas do mundo e em suas terras é produzida a carne bovina Argentina consumida em várias partes do mundo. O rio Salado é seu principal sistema hidrográfico.